As Desventuras de um Paulistano Otimista


18/09/2007


Ordem e... e?

Progresso!  Pode até parecer que não, mas o Brasil está fazendo progressos! Não acreditam? Ou alguém já rotulou o texto como pró-Lula? Tem nada a ver com o Lula, mas infelizmente tem sim a ver com política.

 

A despeito do vendaval político que estamos passando, ou seja, os acontecimentos em si, para mim são irrelevantes, o que importa é que vejo que cada vez mais o povão está desiludido. Não acham isso bom? Não mesmo? Isso é bom sim, o povo está se dando conta que do jeito que está não dá! Os mais inteligentes já até chegaram ao ponto de ver que o problema nem é o Lula, não que nosso querido Molusco não seja um problema, mas sim que também não adianta tirá-lo.

 

No primeiro mandato do Lula eu avisei a todos que eu preferia alguém da direita, por que preferia alguém que pelo menos soubesse roubar. Porque, convenhamos, ser lembrado todos os dias que somos palhaços é desgastante demais. E como roubalheira e política são aliadas indissolúveis, é sempre melhor ter alguém que não deixe isso transparecer tanto.

 

Voltando ao povão... o povo hoje em dia não vê como melhorar essa situação, não é só o presidente, não é só o senado, nem só o congresso. É tudo! São todos! São eles, somos nós, são todos. O povo está falando, estão falando que não tem mais esperança, que não tem mais saída e nem volta dessa situação, enfim, sim, eu concordo. Estão hoje, onde eu estava a alguns anos.

 

Meus amigos se calaram, eu me calei, todos os que gostavam de política, nem que como hobby pararam, simplesmente perdeu a graça, a piada saturou. Hoje, quando vemos quem ainda insiste em política, nos apiedamos.

 

 Enfim, já que o povo está acordando de seu lindo sonho com pôneis coloridos, arco-íris, cascatas lindíssimas, e sol o ano inteiro, quem sabe não vamos passar em breve para o próximo estágio? O da conscientização.  

 

Se eu vejo a tristeza estampada na cara do povo como uma coisa boa, não me culpem. A realidade hoje não é pior do que a 17 anos atrás, ela é apenas mais transparente. Mas pessoas estão se dando conta da sua própria letargia política. Nós deixamos chegar a isso, somos todos responsáveis. O que podemos fazer? No momento nada ainda, sem otimismo nem pessimismo, mas se continuar assim, uma hora vai mudar.

 

Mudei meu discurso, elejam o Lula de novo, e de novo, e quantas vezes sejam necessárias para que todos vejam o que os outros foram competentes o suficiente para esconder.

 

Desabafo??? Perplexidade???? Não, não e não... Felicidade, e só não estou mais feliz porque morreu um grande Tenor.

 

Escrito por Tatolinux às 12h59
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09/10/2006


Conceito X Realidade

Ao contrário da proposta do filme Matrix, que era a de um conceito de realidade, nos tempos atuais vivemos bem o contrário, ou seja, uma realidade conceitual.

 

É tênue a linha que separa a realidade do conceito, e nunca antes (creio eu) viveu-se tão dentro do conceito preterindo-se a realidade.

 

Todos nossos conceitos atuais pegam a realidade como “simples” parâmetro, e ditamos nossa vida segundo o conceito que temos, ou seja, da nossa realidade. Essa mesma que se apresenta de forma tão diferente para cada um faz que hoje as pessoas se tornem cada vez mais distantes do coletivo, e passe a imperar apenas o individual, e isso é uma das poucas coisas factuais (verdadeiras), o resto é apenas um conceito que fazemos.

 

Nossa noção de segurança é uma das coisas mais conceituais que existe, está mais seguro quem não tem nada pra ser roubado, ou quem tem dinheiro pra pagar sua própria segurança pessoal? Este apenas é um dos exemplos mais gritantes, mas se pararmos para observar, quase tudo na nossa vida é concebida por noções (conceitos) pré-definidas, e variáveis, de acordo com o passar do tempo.

 

O cigarro já esteve na moda, conceituava-se uma pessoa que fumava como chique e elegante. Já o contraposto atual coíbe até as propagandas dos cancerígenos. A beleza, ou o conceito da mesma, que é mais volátil do que nitroglicerina, fica cada vez mais cruel com o passar das “décadas”.

 

Conceitual também se tornou nossa perspectiva de vida, pois não a ditamos conforme aquilo que podemos conseguir, quer seja em um futuro próximo, quer seja em um distante, outrossim, o fazemos de forma que se encaixe sempre no conceito atual, desprezando-se assim as projeções futuras em prol das pseudo-certezas do presente. Um contra-senso, já que, o atual se baseia mais em conceitos do que em realidades.

 

Tais conceitos também são perigosos, porque incute nas pessoas coisas inalcançáveis, e daí se tira a maior parte das mudanças indesejáveis que as pessoas fazem nos dias atuais. Ora, se um homem projeta conceitualmente uma mulher perfeita, e por conseguinte um relacionamento perfeito, o desfecho não será outro se não o divórcio. Conclui-se então que pelos conceitos obtém-se a realidade, e por via de regra a realidade vêm com uma dose excessiva de amargura e ressentimentos.

 

Sei que, tornou-se impraticável pautar a vida apenas por realidades, pois a que se apresenta hoje em dia é dura demais para qualquer mortal suportar.

 

Ao contrário do que se possa pensar, acredito que as pessoas não se refugiam em coisas conceituais por medo da realidade. Penso que isto é involuntário das pessoas, ou que, em alguns casos a inobservância dos fatos é que faz com que alguém siga o conceito.

 

Difícil se torna definir aonde é que é melhor seguir o caminho de um ou de outro.

Mas, na medida do possível, é melhor ter em mente a realidade, mesmo que se opte por trilhar o caminho do conceito. Saber dosar os dois, é a chave para uma vida com menos revezes.

 

PS: tema sugerido pela Alexandra.

 

Escrito por Tatolinux às 15h31
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18/09/2006


O que, como X Porque

Abro aqui o que penso que pode vir a ser um debate interessante. Minha primeira idéia era fazer esta a quatro mãos junto com o Philip, mas como toda vez que nos encontramos esquecemos de abordar o assunto, vou postar a minha parte e ficar no aguardo das considerações dele.

 

Venho insistentemente alertando para o fato de que as pessoas têm respostas demais, e as vezes respostas para aquilo que ainda não foi perguntado, ou respostas ao invés de perguntas pertinentes.

 

Tende a nossa sociedade a achar o porque de tal coisa ter acontecido, mas se esquecem de analisar como aquilo ocorreu, ou o que deu inicio a tal ocorrência. Trocando em miúdos, temos respostas pra tudo, ou quando nos deparamos com uma situação, restringimo-nos a analisar apenas o porque daquilo.

 

O porque, é o resultado final, o desfecho de uma situação, e isolá-lo para se analisar restringe o campo de visão de quem pretende entender o fato. Entretanto, “o que” e “como” seriam a origem do fato. Precisa-se de um “o que” ou um “como” para que haja um porque.

 

Podemos então usar um exemplo qualquer; uma traição. A primeira questão seria o porque se traiu. Mas penso que seria melhor retroceder ainda mais e analisar “o que” originou o desejo, ou o desprezo pelo companheiro. Ou “como” a pessoa se sentiu para que fosse necessário um terceiro elemento na relação. Parece ser a mesma coisa não? Analisando o “o que” e o “como”, chegaria-se ao “porque”, tenta-se abreviar-se o caminho e começar do porque para entender o “o que” e o “como.

 

E é justamente aí que mora o perigo. Analisando uma situação a partir do porque, vai sempre se partir do principio que a pessoa traiu, e sempre vai se estar nisso, então, mesmo querendo entender o porque, o que mais importa é que ela traiu, sendo assim, ela será culpada de antemão, mesmo antes de se analisarem as situações adjacentes, ou os fatores motivadores do ato.

 

Considero que a origem do hábito Brasileiro de se rotular pessoas e atitudes, ou prejulgar, tem sua origem justamente na forma de se analisar o “porque”. O verdadeiro saber, a meu ver, está condicionado fundamentalmente em se fazer uma analise isenta de noções preconcebidas do desfecho, seja ele qual for.

 

Isenção essa, que salvo raríssimos casos, não existe no Brasil. Se tiver duvidas quanto a isso, preste atenção em como o brasileiro se expressa. O Brasileiro ao ser indagado, começa da seguinte forma sua explanação: - Eu acho... Confundem-se, pois, seguindo o rito da democracia, ele pode achar o que quiser, mas nada transforma “achar” em “razão”. No nosso país, partimos da premissa que se nos perguntam algo, querem exclusivamente saber o que pensamos acerca daquilo, e não do que efetivamente sabemos sobre aquilo.

 

Nos dias atuais, pensam todos que ao se explicar uma atitude, está se entendendo tal atitude, o que é no mínimo insensato. Precisa-se entender primeiro, para depois explicar-se as coisas, e não explicá-las para entendê-las.

 

Escrito por Tatolinux às 10h18
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11/09/2006


7 ou 11 de setembro?

Como se não bastasse o ímpeto do brasileiro em se americanizar, temos agora um concorrente fortíssimo para uma de nossas datas mais importantes.  

 

Tudo bem, a nossa data é bem mais velha, vem lá de 1800 e lá vai bolinha (1822 pra quem não sabe), nosso ícone maior da data também é um rei montado em um burro, que foi convenientemente alterado para um garanhão. Mal sabia ele que na frase: Independência ou Morte, escolheríamos a segunda opção.

 

Já o do dia 11 repercutiu muito mais mundialmente, muito mais vitimas, mais tragédia, mais drama. E nós, é claro, como um povo solidário, nos condoemos junto com eles por suas vitimas, apesar de que ao se falar de 11/09, fala-se primeiro da construção, e depois das mortes, estranho não?

 

Tão estranho quanto o fato de todos serem unânimes ao lamentar as vitimas, mas o mesmo não se aplica a lição dada aos “meninos bandeira”.

 

Todo produto nacional, até os feriados, se empalidecem ante aos acontecimentos dos meninos lá do norte. Só não é mais famoso o 11 de lá, comparado ao 7 daqui, pelo simples fato de vira e mexe podermos emendar um feriadão. Aí sim os brasileiros mostram sua real face, sua índole reprimida.

 

Esquecem-se os brasileiros, que ao se almejar ser que nem os meninos bandeira, precisaríamos mudar primeiramente o apetite interminável que temos pelos “feriados prolongados” ou “feriadões”. Mas aí vem alguém e diz: Mas gostar de feriadão é a identidade do brasileiro. E então, fatalmente eu responderia: Que identidade Zé? Que identidade Dna. Maria? O povo brasileiro não tem identidade, tem xerox de terceira categoria, e olhe lá.

 

Esses dois dias, por motivos diferentes exaltam a bandeira. O nosso querido e amado (salve, salve) dia 7, por ser diretamente ligada a própria. Já o dia 11, exalta porque os meninos do norte não precisam de muito pra poder colocar a bandeira na frente e dar um exemplo de superação. Só que nesse caso vai ser uma superação da construção civil versus a histeria coletiva, com uma pitada de nacionalismo exacerbado.

 

Bom, pelo menos ainda temos nossa Linda Bandeira com estrelinhas brancas com um fundo azul, e listas verdes e amarelas. Ah, ainda não temos as listas!  Mas qualquer dia a gente chega lá. Enquanto isso, a gente pode tentar colocar o 4 de julho como feriado nacional no Brasil também, não?

Escrito por Tatolinux às 13h58
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04/09/2006


Na Calada da Noite

Ah, a noite! Ela e seu ícone maior a Lua, que tanto são aclamadas pelos poetas, pelos apaixonados e pelos sofredores. Deixemos o sentimentalismo a quem lhe é de direito, e falemos apenas dos contrastes.

 

Só há dois tipos de notívagos: o puro e casto, e o maldito. E mesmo esses só se destacam se estiverem no ambiente noturno, pois, se fosse de dia, seriam apenas mais um puro, e mais um maldito. Então pergunto, porque a noite eles se destacam? Provavelmente porque só na noite é que há dois grupos tão definidos. Ou você é um (puro), ou você é outro (maldito), e, se não for nenhum dos dois, está apenas de passagem na noite, e não merece ser comentado, seu ambiente é o dia.

 

Outro aspecto  a ser considerado é justamente o fato dos dois extremos sempre colidirem, ou, por só haver esses dois grupos tão distintos, é que colidem. Hora o maldito usa o puro como presa, hora o puro caça o maldito com intuito de erradicá-lo.

 

Não existe também a expressão “Na calada do dia”, porque se fosse para existir uma expressão pro dia provavelmente seria: “Na velada do dia”. É, ficaria horrível, eu sei. De fato, creio que tal expressão seja uma mera alusão ao mistério que a noite simboliza. Mas, porque foi imputado esse simbolismo ao ambiente noturno? Creio que em sendo a  Lua  o símbolo da mulher, e à mulher é imputado o dom do mistério, suponho então que a noite é o elemento feminino, e por isso seja a noite  sinônimo de mistério.

 

No misticismo e na mitologia não é diferente. No misticismo a Lua é a Deusa, e na mitologia a Lua é Ártemis, irmã de Apolo (o Deus Sol).

 

O fascínio exercido pela noite atinge inerentemente a todos. O mistério, o silêncio, a sensação de individualidade, estão aflorados neste ambiente. O que de dia chamamos de sombra, a noite se torna penumbra. A imaginação instiga-se, quer seja de forma introspectiva, quer seja em divagações.

 

Amada só se torna imortal se contemplada sob a luz do luar, a solidão só se apresenta pra te fazer companhia (há há há, sentiram o contra-senso?) e te perturbar quando o dia se vai, e te deixa a mercê de seus sentimentos. O frio sempre se faz mais forte e mais presente, quer seja no ambiente ou nos corações daqueles que há muito se desiludiram com a vida que o dia traz. Na noite é onde você vai buscar seu melhor e seu pior, seu lado mais puro, e seu lado mais sombrio, prepara-se-te então para o dia, na noite.

 

Ninguém da lua extrai seu poder, como acontece com o sol, da lua apenas somos regidos, como são regidas as marés. O astro-rei que traz a vida, inveja a Lua, pois é nela, e não nele que todos depositam esperanças.

 

A morte também é simbolizada pela noite, a morte do dia, e a espera do novo alvorecer, de uma nova vida. Mas, como dito antes, não é só a vida que sucumbe perante a noite, sucumbem também os tabus, as travas, caem as mascaras, revela-se misteriosamente o que somos.

 

A noite é o paradigma dos enamorados, e o paradoxo do nosso cotidiano. Tudo que chamamos de metódico quando aplicado ao dia, se torna tão prazerosamente repetitivo na noite.

 

O que se aplica ao elemento, também se aplica a todos os que nele são ativos, todos os animais (dessa vez os da fauna) noturnos trazem consigo a marca da beleza misteriosa, da mística, da mítica, do olhar hipnotizador.

 

Só há uma coisa a saber sobre a noite, que a maioria despreza, para ser um notívago convicto, não pode-se ser só belo, ou só maldito, precisa ser ambos. Porque nós somos assim, belos e malditos.

 

Escrito por Tatolinux às 10h51
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30/08/2006


Uops!!!

Muito corrido nessa semana, fica pra segunda que vem, não chorem

Escrito por Tatolinux às 14h30
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15/08/2006


A Beleza Interior

Eu não acredito na “Beleza Interior”, eu acredito em órgãos internos. Sabem? Pulmão, coração, fígado, etc.

 

Do principio – é falta de educação taxar uma pessoa de feia, assim sendo, usamos da nossa boa e velha hipocrisia e criamos um eufemismo pra lá de infame. A resposta já foi dada, mas como sempre, sigo a minha linha de fazer perguntas pertinentes, ao invés de achar respostas sem nexo: Qual o maior atestado de feiúra de alguém, se não a beleza interior?

 

Já se cogitou a dita interna beleza, para as top models? Para as atrizes ninfetinhas das novelas globais? Não né? A beleza interior está diretamente ligada a aquelas pessoas das quais não podemos dar o adjetivo da beleza, mas que por alguma razão não as imputamos o palavrão da feiúra.

 

Mas, afinal de contas, o que é a beleza interior? Bondade, cultura, abnegação, todas essas, nenhuma dessas? Não se preocupem em responder, a pergunta é retórica, e viso por objetivo contrapor a idéia de se existir uma beleza interior.

 

Agora, se a pessoa é bonita por fora, teria ela também a beleza interior, e teoricamente a interior seria a mais importante, não? Então porque nunca queremos nos relacionar com os feios?

 

Entramos na era da semântica, onde ser educado não vale mais nada, temos que ser “politicamente corretos”, aonde o feio não pode ser mais chamado de feio por falta de educação, e sim porque estaríamos ferindo o conceito de “hipocrisia utópica” que tanto perseguimos hoje em dia. Mas, se por um lado não podemos constatar a verdade por ferir vários artigos de nossa conduta, podemos outrossim ferir a inteligência dos feios, imputando a eles a beleza interior.

 

Um amigo meu, já alertou para que tomemos mais cuidado com as frases feitas, e com certas colocações que fazemos. Ele alertou então para o “Era pra Ser”, não que eu tenha me inspirado nesta para fazer a minha, mas quando em uma crônica passada, alguém mencionou a beleza interior, comecei a me perguntar se é realmente certo usar essa expressão, quer seja como eufemismo de feiúra, ou como análogo  de uma virtude da pessoa.

 

Então, se você não for “operador de maquina de tomografia”, não venha com conversa mole de beleza interior. E tenho dito!

 

É melhor ser um feio convicto, do que um belo esquisito.

 

Escrito por Tatolinux às 13h30
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07/08/2006


A Jornada pela Felicidade – Considerações

Poderia eu ter colocado apenas esta, mas resolvi antes fundamentar, ou pelo menos elucidar a todos do que realmente se tratava a jornada, podendo assim ter a certeza que todos agora saberão do que estou falando.

 

De todos os desejos humanos, a felicidade hoje em dia é uma das poucas que podemos classificar como inalcançável. Há uns 20 anos atrás eu posso dizer que as pessoas eram apenas infelizes, mas hoje em dia elas estão em estado de penúria, sim, a atualidade tornou as pessoas miseráveis.

 

É impossível ser feliz nos dias de hoje, porque o grau de insatisfação com a nossa realidade atinge patamares altíssimos. Aquele que se acha feliz, nada mais é do que um hipócrita. Não que essa hipocrisia seja voluntária, mas porque ela se faz necessária para poder tornar a realidade pelo menos intragável.

 

Esqueceram-se todos os que se dispuseram a divagar sobre a Jornada, que a felicidade só atingirá sua plenitude, se por ventura nosso meio também esteja propicio a isso. Ora, com tanta fome, guerra, violência, e et cetera, como poderíamos então dizer que nosso meio (realidade) nos proporciona o caminho certo da jornada. Todos subestimaram, e a todos acuso de deliberadamente cruzarem os braços e deixarem nosso cotidiano se tornar um verdadeiro vendaval de desgraças.

 

A humanidade vem há séculos sofrendo de uma amnésia ou cegueira coletiva, como se todos tivessem optado por esquecer, ou simplesmente não ver que para se ter a felicidade é necessário que aqueles que nos cercam também sejam felizes, ou que em não sendo, que estejam pelo menos no caminho certo para a mesma.  A plenitude da mesma então, concluímos, só aconteceria, caso isso se estendesse a toda a nossa realidade.

 

Não estou dizendo que obras de caridade são as soluções, e nem que seria a solução adotar essa postura, apenas demonstro que por nosso próprio egoísmo e nossa própria displicência, tornamos nosso meio não propício a se trilhar tal jornada. Digo apenas que; esse egoísmo não é para com o próximo, e sim para com a nossa realidade.

 

Se acham que estou errado, me expliquem então por que o sorriso virou questão de etiqueta e não mais uma demonstração de satisfação. Hoje em dia vejo que a maioria ri por vontade própria, mas sorri por educação. Quem hoje em dia diz: Estou contente!? As pessoas hoje em dia, quando querem dizer que não estão com algum problema, se restringem apenas a dizer que estão “BEM”. Vicio de linguagem? É? Vocês têm certeza?

 

Não existem pessoas contentes, porque não há contentamento, as pessoas deixaram para segundo plano o meio, em prol do que julgam ser sua própria jornada pela felicidade. Então, primeiro tentamos ser felizes para depois então meditarmos se há o que podemos fazer pelo nosso meio, acaba que, não atingimos nossa felicidade justamente porque nosso meio não propicia isso, então não fazemos nada pelo nosso meio. Esquecemos até, que para sermos felizes, primeiramente (teoricamente) deveríamos estar contentes.

 

Aqueles que tentam trilhar a jornada, nada mais fazem do que “tentar construir uma casa pelo teto”. Vão direto a felicidade, preterindo seus estágios anteriores, que viriam a sustentá-la, caso ela fosse alcançada.

 

Em verdade vos digo, e o faço sem peso em minha consciência, que hoje em dia temos “momentos de felicidade”, o nascimento de um filho, uma conquista pessoal, etc. Nada mais que uma pálida amostra do que poderíamos sentir todos os dias de manhã ao acordarmos.

 

Como sou como todos, não pretendo me resignar e aceitar que jamais terei a felicidade plena, e, como considero inútil trilhar a jornada, pego cada momento, e tento estende-lo ao máximo, já sabendo o quão raro é a probabilidade de se repetir.

 

 

* PS: Agradecimentos ao Maison, que fez um logo Novo pro blog,

o antigo também era dele.

Escrito por Tatolinux às 15h12
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31/07/2006


A Jornada pela Felicidade – Atualidade

Se, até pouco tempo atrás, a jornada se baseava em metas racionais ou religiosas, isso já não acontece mais, visto que, não há, hoje em dia nada a que possamos nos agarrar, e nem exemplos a serem seguidos.

 

Poderíamos dizer então que a jornada virou algo volúvel, o que a meu ver não procede. Há sim uma meta a ser atingida nos dias atuais, e nem todas elas se restringem ao plano material. De fato, há até uma certa hierarquia para que se seja feliz, adotando-se esta então como a jornada atual, como segue:

 

Primeiro Lugar – e campeã dentre todas as demais é estar vivo. A vida individual hoje já não tem mais par. Somos educados com o principio que somos especiais, e que nossa vida não pode, não deve, e não será trocada por nada mais, mesmo que a permuta de nossa vida indique o bem do coletivo, ou daquele que se encontra imediatamente a seguir de nós. Não abriremos mão de nossa vida nem para o bem de nossos pais, irmãos, filhos, ou para qualquer um. E não tomar essa postura incorre em se ir contra o instinto, contra o convencionado pela totalidade, e também será classificado como esforço inútil, já que, nem esses que estão mais perto, se sacrificariam por nós. Conclui-se então, que para se ter a felicidade, é necessário saber de antemão que não precisará abrir mão da própria vida em prol de ninguém e de nada.

 

Medalha de Prata – as posses e os meios para tê-las. Aquele hoje, que não consegue oferecer conforto que não seja o mínimo, não há de ser feliz. Nem ele, e nem os que os cercam, pois o individuo que não tiver meios suficientes, imputará a culpa aos que o cercam, e os que o cercam farão o mesmo. Mesmo que se chame a responsabilidade para si, não há de se ter à dita felicidade, pois quanto mais se sentir responsável pelo conforto daqueles que o cerca, mais será infeliz ao constatar que por mais que se ofereça, sempre lhes faltará algum desfrute, mesmo que esse seja algo banal, e completamente indispensável para a subsistência.

 

Bronze – Ser belo. A beleza nunca esteve em tanta evidencia, e nunca ela foi tão atrelada à felicidade. Há hoje um estereótipo de beleza, e quanto mais se distancia deste, mais há de ser infeliz. Uma pessoa acima do peso simplesmente não poderá ser feliz, o mesmo acontece com os magros, baixos, e etc.

 

Poderíamos então, dar por findo a classificação apenas com esses três itens, mas os próximos itens da tabela, apesar de não ocuparem as primeiras classificações, se contrapõe a elas, a saber:

 

* Ser amado – atualmente, ser amado, é mais importante que amar. Parte-se do principio que para ter a felicidade, é preciso ser amado, não importando tanto assim se ama.

 

* Amar – um bônus extra, nada mais do que isso. Achar o que chamamos de “alma gêmea”, é virtualmente impossível nos dias atuais.

 

Em uma realidade onde o mais importante é estar vivo, ter dinheiro/poder e ser belo, ser amado e amar, é um prêmio considerável, já que não são premissas básicas, e sim secundárias. Normalmente imputadas também a aqueles que não têm nem prata e nem bronze.  

 

Dou por encerrada a analise quanto à jornada pela felicidade, reservando para a semana que vem as considerações que tenho para fazer sobre o tema.

 

Escrito por Tatolinux às 17h34
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24/07/2006


Prezados Leitores do Periódico:

 

 

Após longo e tenebroso inverno, volto a escrever, e atualizarei a coluna semanalmente como sempre foi feito.

 

 

Escrito por Tatolinux às 15h35
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A Jornada pela Felicidade – Cristianismo, segundo a Religião

Quando eu coloquei a primeira parte, que abordava  jornada segundo o JC, muita gente vinculou o que disse à religião. Mas, deixei em errata propositalmente a religião, como um capitulo a parte na jornada. Já que, o assunto em foco é a jornada pela felicidade e não a religião ou o JC, de forma que; só abordo a influencia que ambas tiveram na mesma.

 

Até meados do século XX a religião desempenhou um papel soberano na vida das pessoas, detinha e ditava praticamente todas as condutas a serem seguidas, inclusive na gestão governamental.

 

A concepção de felicidade nesta época, baseava-se em se cair nas boas graças do pároco, ou então, ter influencia o suficiente para conseguir persuadi-lo a fazer o que se pretendia. Houveram extremos dos dois lados. O mais comum era ser guiado pelo pároco, mas houve também quem conseguisse que fosse ratificado um divorcio, coisa que a igreja é contra (naquelas) até hoje.

 

Levava-se tão a sério as boas graças da igreja, que ao ser excomungado, todos os pertencentes a aquela comunidade acabavam por rejeitar o individuo mais do que até a criminosos.

 

Tendo-se em conta os padrões atuais, fica até difícil acreditar que um dia foi assim. Mas foi, e a meu ver foi aonde a jornada se desvirtuou de forma tal, que até hoje não encontramos o rumo certo.

 

O sistema machista e castrador que a igreja imprimiu durante tantos séculos pode levar crédito também na guinada que a sociedade deu em seu curso natural pela busca. O ataque sistemático a outras religiões, o desdém, ou até mesmo a absorção de datas especificas para que com isso se menosprezasse o antigo intuito da mesma, fez com que a igreja e os fiéis se afastassem do que o precursor pregou, e também da jornada.

 

As contradições mais gritantes foram postas de lado, em prol do que igreja desejava. E a própria igreja, por ser conduzida por seres tão imperfeitos quanto aqueles com a qual ela se propõe a dar um caminho para a felicidade, acabou por perder sua força.

 

A jornada pela felicidade transformou-se em duas facções distintas e opostas, mesmerizando seu próprio sentido, a saber:

 

Jornada masculina – ter as boas graças do pároco, que está diretamente ligado a quanto podia-se dar de donativo para a instituição. Sustentar a família com conforto, e em caso de um casamento infeliz, poder sustentar a amante também, fundamentando a massiva hipocrisia com a qual convivemos até hoje.  

 

Jornada feminina – ser bonita, ser uma dona de casa exemplar, fazer todas as vontades do marido, conscientizar-se que a mulher é a vergonha do homem (segundo Paulo – bíblia, mesmo que Jesus tenha repetido mil vezes que perante Deus todos são iguais). Ser devota acima de tudo, mesmo do que foi dito antes.

 

Concluo (nos dois sentidos, de extrair a moral e de desfecho) então, que o desvirtuamento iniciou-se com o advento do cristianismo, e guinou para a direção oposta quando a religião tomou força e se apoderou do cotidiano.

 

A fé é necessária, mas deve-se deter ela a apenas o que concerne a evolução espiritual de cada um, e deixar a jornada pela felicidade embasada em outros quesitos. Creio que nessa cronologia, os pensadores levam vantagem, ou pelo menos, se não deram a resposta certa, pelo menos não guiaram para o lado errado.

 

Escrito por Tatolinux às 15h30
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04/07/2006


A Jornada pela Felicidade – Cristianismo, segundo seu Precursor

O Cristianismo curiosamente regeu por séculos a jornada pela felicidade. E, creio eu, que foi aonde mais nos desvirtuamos do verdadeiro principio de felicidade.

 

Ponderemos acerca do que o cristianismo pregou:

 

* Que a felicidade não está nessa vida, ou seja, nasceu? Dançou! – estamos aqui tão somente para fazermos tudo certinho e conquistarmos o paraíso. Felicidade e paz, é algo simplesmente inalcançável para nós, reles mortais, até porque, até pro próprio JC o caminho foi árduo.

 

* Que não devemos nos opor aos algozes de nossas vidas, pelo contrário, devemos dar-lhes a outra face. Teoria interessante, e é claro que não colou.

 

* Nas bem aventuranças, esqueceram de mencionar, que os ricos, e os bem sucedidos na vida são bem aventurados também, ou não? Claro! Perdoem o lapso, estamos aqui pra sofrer, de forma que, ser bem sucedido em qualquer área, nos desqualifica para adentramos ao reino dos céus.

 

* Que nós simplesmente somos incapazes de mantermos uma relação direta com nosso criador, de formas que; ou precisamos do filho dele, ou de algum clérigo. Então, aquele que pode nos proporcionar a tão sonhada felicidade, é simplesmente, inalcançável por nós, e ficamos restritos aos intermediários.

 

* Que devemos amar o próximo como a nós mesmos, mas o próximo pode fazer o que bem quiser, já que se ele se arrepender o Criador o perdoará.

 

E, mesmo que tudo isso não tivesse sido exposto dessa forma, ainda esbarramos em outro problema. O fato de que simplesmente o próprio precursor não deixou nada escrito, deixando a seus discípulos escreverem sua obra, o que funcionou pra tantos outros, mas não funcionou tão bem para o cristianismo, já que nem todos que escreveram tiveram seus textos reconhecidos, tornando tais textos gnósticos, ou indignos de constarem na cartilha de Deus.

 

E até a cartilha de Deus, também é aceita como interpretativa, o que deve dar um nó em muitos, já que as leis do Criador são imutáveis.

 

Sou Cristão, mas ao invés de ficar achando apenas respostas, procuro fazer perguntas pertinentes. Que me perdoem os mais fervorosos, mas não vou gastar minha vida inteira para ser feliz apenas ao findar da mesma. A jornada deve ser iniciada em vida, e em vida também devemos gozar de nossa obra, saboreando a felicidade, que mesmo que não possa ser plena, deva pelo menos ser apreciada nos aspectos em que ela se manifestar.

 

A verdade é dura e cruel, e não são as religiões apenas que estão pecando, o próprio principio do Cristianismo está defasado e fazendo com que haja uma evasão massiva dos templos, ou pelo menos, dos templos que até então eram os mais freqüentados.

 

Escrito por Tatolinux às 12h35
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26/06/2006


A Jornada pela Felicidade – Os Pensadores

Para aqueles que estranharam o fato de eu não postar na semana passada, explico que foi deliberado, pois estava me aprofundando no assunto que ora abordo.

 

A felicidade não é só algo subjetivo e variável, é também abstrato. Mas tudo bem, apesar de não se poder determinar com precisão o que é realmente a felicidade, podemos pelo menos pegar o conceito dela, que isso sim mudou (e muito) durante o tempo.

 

Na antiguidade, a felicidade estava diretamente atrelada a moral, ou seja, quanto mais se vivia dentro do estabelecido para os padrões da época, mais se julgava feliz o ser. Houve também alguns “Fulaninhos” que contestaram isso. Por exemplo: Sócrates (sujeitinho metido né?), o texto nos chegou por outro desconhecido, um tal de Platão, que se dizia discípulo dele.  O referido texto traz justamente o contraponto de Sócrates contra os homens ímpios ou santos.

 

Teve também um tal de Aristóteles que por incrível que pareça era discípulo de Platão, que ponderou que a felicidade é a aspiração primordial do ser humano, transcendendo até a riqueza e o reconhecimento. Aristóteles, porém, atribuiu a felicidade à razão, tirando assim, de uma vez por todas, o comparativo de felicidade com a moral.

 

Devemos levar em consideração que todas estas celebres pessoas citadas são de data bem anterior ao nosso querido JC, portanto, ainda não existia paraíso.

 

O que não quer dizer que não houve, mesmo naquela época, aqueles que atribuíssem a felicidade ao prazer. Mas pasmem, o prazer aqui relatado é o prazer espiritual e não o prazer material. Eles, e seu maior representante (na época) consideram o prazer material (ou carnal) como fonte de ansiedade e sofrimento.

 

Em sua eterna busca pelo prazer, houve uma facção que defendeu a tese de que qualquer tipo de prazer traria sofrimento, e que o homem tem que se basear tão somente na razão e na natureza, atingindo como ápice da felicidade a resignação dos revezes da vida.

 

Existem mais outros tantos milhões de jornadas que almejam a felicidade como meta, e todas, tiveram pessoas ilustres que, foram baluartes das mesmas, ou seguidores mais conhecidos.

 

Não tenho o intento de me contrapor ao dito por pessoas tão célebres, mas deixo bem claro que os tempos eram outros, e mesmo prevalecendo muita coisa do que estes disseram a tanto tempo atrás, nesse quesito, não tem como negar que o conceito de felicidade mudou.

 

Mesmo tendo o conceito se transformado através do tempo, não devemos porém, minimizar tais colocações sob o rótulo de que naquele tempo as coisas eram bem mais simples do que hoje, pelo contrário, em muitos aspectos eram bem mais complicadas. Prova disso, é que os pensadores, ou, os maiores exponenciais de pensadores, indo até o pai da filosofia, datam daquela época.

 

Penso que a jornada pela felicidade teve muito mais crédito do que supus até hoje. E que é verdadeiramente a jornada a ser vencida, pois, houveram tantos outros com tempos melhores ou piores que se emprenharam, ou de alguma forma se dispuseram a refletir sobre esse tópico, e mudando ou não o conceito, a felicidade sempre foi algo árduo. O que me faz refletir, porque é tão sofrido ser feliz?

 

Escrito por Tatolinux às 13h37
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12/06/2006


O Dia dos Encoleirados

Opa! Não é de cólera não, é de coleira mesmo. Apelidei carinhosamente todos que têm seus pares de encoleirados.

 

Mais uma data para se gastar dinheiro, viva o capitalismo feroz. Essas datas convencionadas realmente não me agradam muito. Nada contra o amor, porque um dos meus bordões é: “O amor é brega”. Então, hoje é o dia da breguice.

 

Os pombinhos sairão para ir ao cinema, jantar fora, e fechar com chave de ouro, em algum motel. Ou, não havendo a possibilidade de sair, trocarão presentes que custaram mais do que valem, e assim ficarão satisfeitos, claro, cumpriram a demanda de mais uma data convencionada pelos outros.

 

Fico em um dilema. Saber o que é mais irritante, a breguice no ar ou a explosão consumista sem sentido. Pra aqueles que pretendem acusar-me de mal amado, não percam viajem, sou da ala dos encoleirados.

 

Hoje, que nem no dia das mães vai ter fila de espera pra tudo. Até no motel, quem disse que mãe também não vai pra motel?

 

Tentei sutilmente escapar a essa ardilosa trama, e quando minha “coleira” perguntou o que eu queria de “Dia dos Namorados”, eu disse: Quero paz!! Não colou, vou ter que sair, e gastar meu rico dinheirinho pra ser mal atendido em qualquer lugar que eu vá.

 

O pessoal também poderia ter bom senso não? Poderiam fazer o dia dos Encoleirados cair sempre na segunda sexta-feira de junho, o que seria bem melhor, claro, porque, dia dos namorados de segundona, ninguém merece.

 

Segunda não foi feita para se comemorar nada, foi feita pra curar a ressaca do final de semana, feita pra se praguejar contra o resto da semana que inevitavelmente está por vir, e etc.

 

Mas tudo bem, essa é uma semana “curta”, quinta é feriado e muitos (inclusive eu) não vão trabalhar na sexta. E mais curta ainda, pois amanhã tem jogo do Brasil. Se não vejamos, trabalho hoje, saio, amanhã fico de ressaca, saio mais cedo por causa do jogo, comemoro se o Brasil ganhar, ou afogo as mágoas se ele perder, portanto, a ressaca de quarta está garantida de qualquer maneira. Quarta é véspera de feriado, então trabalhamos em regime de “operação tartaruga”, e provavelmente sairemos mais cedo também, porque não tem nada pra fazer.

 

Bom, para todos os pombinhos, um feliz dia dos encoleirados. E, para aqueles que não tem coleira, não fiquem deprimidos, vocês estão economizando dinheiro e paciência.

 

Escrito por Tatolinux às 10h16
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05/06/2006


Desprezo

Uma das melhores formas de vingança, a meu ver, é o vazio, o nulo. É assim que encaro o desprezo, a inexistência de qualquer tipo de sentimento por outrem, quer seja positivo, quer seja negativo.

 

Muitos podem achar que em um momento de decisão, ficar impassível é sinal de fraqueza, mas nem sempre. Quanto mais impassível a pessoa, maior é o desdém que ela tem pela pessoa e pela situação, como se tudo aquilo que estivesse acontecendo fosse um vácuo temporal para a pessoa que despreza. Apesar de eu ter um gênio tempestuoso e explosivo, nos casos que considero mais graves, é assim que procedo.

 

Sempre que posso aconselho para que todos que me procuram façam o mesmo, pois, ao se desprezar, ou inibir sentimos como o ódio, vive-se muito melhor. O ódio cultivado, é o único sentimento que considero ruim em todos os seus aspectos. Dessa forma concluo que não nutrir nenhum sentimento, seja muito melhor que nutrir um sentimento que nada nos trará de proveitoso (aproveito para acenar que irei abordar os sentimentos em uma data futura).

 

Posso até citar um exemplo que ocorreu comigo. Quando a pessoa que mais me machucou nessa minha existência, se re-fez presente na minha vida, eu simplesmente não me permiti nutrir qualquer tipo de sentimento. Na época, do então ocorrido, eu apenas me conscientizei que o melhor a fazer era sentar e esperar o que a sorte me reservava, mas sempre tive a certeza de que um dia, essa pessoa voltaria de alguma forma. Me permiti apenas saborear o doce gosto da vingança, pois, ante ao re-encontro eu nada fiz, nem triste, nem feliz, nenhuma reação, o coração não bateu mais forte, absolutamente nada, e agora posso me regozijar, sabendo que o vácuo sentimental que a ela imprimi, lhe feriu muito mais do que ela a mim.

 

Têm aqueles  que desprezam no intuito de se colocarem em um patamar superior aos que lhe desejam o mal. Acho que nesse caso, o desprezo está mal empregado, pois, colocar-se em qualquer instancia em um patamar superior com intenção de revide, ou defesa contra ataques, consiste em uma falsa segurança.

 

Demorei a chegar neste ponto, mas vi o poder que o desprezo exerce sobre as pessoas, o quanto ele machuca mais do que palavras, atitudes, ou até agressão física. Mas também, há de se salientar que como uma arma poderosa, deve-se também ter muito cuidado ao usá-la, ou ter a pretensão. Deve-se ter consciência que ao se desprezar alguém, você estará desprezando toda sua existência como um todo, não se permitindo odiar, mas também tudo de bom que aquela pessoa representa, ou todo sofrimento inerente a todos nós.

 

Ser consciencioso ao se praticar o desprezo é imperativo. E muito melhor que ficar remoendo mágoas. E, ao não se ter tantas mágoas caminha-se para uma vida mais plena e feliz.

 

Como vêem, mesmo de algo ruim, ou, sentimentos ruins, pode-se tirar proveito ou algo vantajoso, desde que se saiba dosar e aplicar corretamente.

 

Escrito por Tatolinux às 11h26
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